quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Do site da Editora Novitas:

Conte-nos em no máximo cinco linhas o que você faria se encontrasse com Deus e o Diabo em um bar.
A resposta mais original ganhará o livro: " Contos que Ninguém Conta" do autor David Nobrega.
Envie sua resposta até o dia 04/10 para o e-mail contato@editoranovitas.com.br com o assunto :  " Deus e o Diabo". O vencedor será conhecido no dia 5/10.
Boa Sorte!
quarta-feira, 29 de setembro de 2010

postheadericon guerra

Escória é o nome dela
Ambição é sua história
Amoral, sua memória
Assassina humanidade!
Sem valores consistentes
Se faz presente
Matam-se uns a todos
Membros unidos desta cloaca
-- A Terra --
Girando em seu eixo
Um novo raiar, novo dia
E a cada dia uma nova guerra
Quando serão honestos
Esses velhos homens investidos
Do podre e corrompido poder
Tecnocratas e políticos
Manchetes de sangue plantam
Para que aquelas mães
Tantas delas
Possam colher.
domingo, 26 de setembro de 2010

postheadericon cega criatura

Este texto foi deletado. E o motivo é deplorável: a parte que não foi escrita por mim foi constatado como plágio. Respondo por minhas ideias e não são poucas linhas, perdidas em meio a esse mar de culpa ou vergonha, que me farão menos pobre ou ignorante.


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

postheadericon final

Por onde andarão
Os tempos em passado perfeito

Rugas transformam meu rosto
A cada uma delas,
Um dia mais morto.

Não encontro mais
Virtudes de valor antigo,
Como a moral e a decência
Em uma podre sociedade
Em franca decadência
Somem, ultrapassadas

Que serão das coisas
Vindas de horas de sono perdido
Do trabalho honesto
Conquistadas e queridas
Usurpadas e usadas
Sem valor algum

Para onde foram as pessoas
Que tanta importância tiveram
Sepultas,
Metamorfoseadas em coisa imunda
Presos nas teias da aranha
Que tece fios de hipocrisia
Enterradas na memória.

Outros fios se tingem de prata
Adornando a mente jovem
Aprisionada
Uma nova marca, sulco profundo
Os cantos da boca se curvam
Em um sorriso invertido
Prenúncio do bafejar mortal
Que ceifa mais uma vida
Perdida de seus valores
Desapegada de suas coisas
Esquecida por suas gentes.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010

postheadericon Cleide

Eram quatro ao todo: Betão, Biro-Biro, Rubens e Zé Luiz. Quatro pescadores natos, criados em São Paulo, mas com o vício dos grandes rios do Mato-Grosso.

A pescaria desse ano, como de todos os outros desde que se tem lembrança, seria a bordo de um barco-hotel, longe das barrancas e seus provocativos puteiros.

Horas de viagem que passavam rapidamente, revezando-se entre eles ao volante do velho ônibus que compraram em sociedade para esse fim.

Três dos quatro amigos, todos beirando aos 40 anos, eram pais de família, à excessão de Biro-Biro: 'namorador biscateiro', como ele mesmo se definia, não conseguia ficar com a  mesma mulher mais que uma ou duas semanas. Por outro lado, também não coseguiria ficar mais que duas noites sem nenhuma.

Por essas e outras, toda vez que embarcavam no barco que os levaria a pesca, a tralha de Biro-Biro sempre era a maior. É quem além de linhadas e chumbadas, anzóis e molinetes, Biro-Biro carregava Cleide, boneca inflável que lhe fazia companhia nas solitárias noites sem femininos corpos a seu lado. Claro que este era o motivo de gozação predileto entre eles, mas nunca conseguiram com que Biro-Biro deixasse Cleide em casa. "A única mulé que nunca me encheu o saco", repetia sempre após cada nova piada. Como toda piada acaba por perder a graça, pouco se falava sobre a namorada dobrável na mala.

Segundo consta dos autos de investigação da capitania dos portos, o barco "O Filezão" foi a pique por volta das três da madrugada, horário em que cansados ou bêbados pescadores estão roncando em seus beliches e redes.

Primeiro, um forte solavanco. Depois o porão fazendo água por um enorme rasgo no casco. Alguma tora perdida  na escuridão do rio.

Gritaria e confusão. Palavrões e pedidos de socorro, enquanto verificavam que os botes salva-vidas não eram suficientes aos 45 ocupantes do "O Filezão". Coletes salva-vidas, em condições piores que fundo de calça de moleque.

Betão, Rubens e Zé Luiz acordaram com o barulho e subiram para o convés já com água pelas canelas, em meio a peixes mortos e perdidos de seus algozes. Só quando estavam já procurando algo que os fizessem salvos é que notaram a falta de Biro-Biro. Gritaram, procuraram pelo convés...e nada.

"Já se foi para a água", pensaram. Atiraram-se ao barrento rio, procurando com suas mãos alcançar a margem mais próxima. Nadaram e nadaram...Boiaram... Mas o cansaço de um dia inteiro nem o medo de morrer supera.

Foi quando, vindo sabe-se lá de onde, uma cabeça morena de longos cabelos emerge. "É Iara, mãe d'água que vem nos buscar!".

Mas que nada. Sobre Iara estava sentado, despreocupadamente, Biro-Biro. Iara ninguém mais era que Cleide, sua borrachuda namorada. Com uma das mãos, Biro-Biro remava e na outra, arrastava algo do madeirame do barco já morador das profundezas do rio.

Os três amigos, agarrando-se aos restos do barco, conseguiram  por fim boiar até a margem, salvando-se.

Dizem hoje os que contam essa história que as famílias continuam a se reunir em churrascos, a cada final-de-semana em casa de um ou outro, mas que independente do lugar, há sempre uma bela morena, de vestido novo, sentada em lugar de honra, longe da churrasqueira, para não furar seu corpo de plástico.

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Originalmente publicado em "Uns & Outros" -- 2009 -- ISBN: 978-85-60864-23-2

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

postheadericon transição

Tão substancial é o véu que me cobre os olhos!
Tão pesada a mortalha que me encerra...
Sinto por entre suas frestas dedos gelados
Que corrompem meu ânimo, minha vontade
A incoerência de minha vida
Vívida em minha memória.
Sei ainda dos passos que dei
Lembro-me de tudo ainda.
Lembro-me de ti!
Sim, de ti que para os campos dos sonhos
Foste em delicioso e eterno sono.
Não me é ainda difícil lembrar
E por quê não, regozijar
De poucas e boas pelas quais passamos
E se as passamos, 
Ombro a ombro, como se deve fazer,
Por quê não estás aqui?
Deverias ainda, mesmo que por piedade
(eu e minha viciosa saudade)
Estar neste ponto de minha nada vida e aberta morte
Ajudando-me a atravessar o umbral de tão grande portão.
Te disse algo desnecessário?
Magoei-te? Feri-te?
Se sim, explica onde, pois não vislumbro
Onde pequei ou errei.
Se não, me dá tua mão. 
Diz-me o que fazer.
Qual o som que a harpa deve ter
Para que os outros vivos lá
À beira-mar
Ouçam minha celestial música
Em cada onda que a terra quebrar.
Por quê não vens?
quinta-feira, 9 de setembro de 2010

postheadericon valor

parado e na rua
sinto em máscaras passantes
a necessidade de amor,
carinho, sinceridade,
atenção.
a pressa de viver a vida,
converte em infelicidade
os sentimentos,
os sonhos,
a ilusão.
as pequenas maldades imaturas,
carregando semi-almas puras
de rancor, de raiva,
de melancolia e de dor;
quanto vale seu abraço?
quanto quer por seu sorriso?
um "bom-dia" tem valor?
pode ser que alguém pague seu preço
sobrando de troco ainda um abraço,
um beijo,
algo bom,
seja o que for.
terça-feira, 7 de setembro de 2010

postheadericon virtual

Entre clicks e palavras meio escritas
Procura a solução para sua mediocre vida
Tenta na virtualidade maldita
A antiga emoção na realidade perdida

Namorados eletrônicos,
Sexo automático
Prazer assintomático
Gemidos estereofônicos

Toca a tela de vidro frio
Entre as pernas só o vazio
Sente úmida e acarinha
Enfim, goza sozinha
domingo, 5 de setembro de 2010

postheadericon o anjo

As pessoas passam por mim na rua, ombro a ombro e não podem me ver. Me sentem, como uma brisa mais gélida soprando em seus ouvidos mensagens tidas como do além. Eu sou a idéia concebida, a vontade e a intuição.

Sopro em suas mentes a dor de uma saudade. Sussurro por entre dentes questões que estavam adormecidas no escuro passado de suas vidas. Sou a liberdade de pensamento.

São todos meus Pinocchios, presos às minhas vontades por cordéis invisíveis. Sou a voz interior que lhes conduz às dúvidas e questionamentos. Faço intrigas quando acho interessante ou quando estou enfadado de minha função. Sou a consciência dos justos que lançaram tantos às fogueiras da irracionalidade e o silêncio moral dos canalhas que se acovardam.

Para meu divertimento, vez por outra escolho a função de ser o tutor de um humano qualquer. Acompanhei durante um tempo a certo senhor que com certeza você não conhece. Uma alma obscura vivendo uma vida pura.

Quando adolescente, lhe forcei o desejo da riqueza, mas em seu cérebro compassivo desejava apenas as alegrias da mocidade.

Quando pouco mais velho, fiz-lhe ver os palcos de luxúria, os corpos lascivos e a promiscuidade. Preferiu casar-se com a primeira namorada, que o acompanhou até a morte.

Os filhos vieram e os fiz desajustados. Mostrei-lhe os fatos e as oportunidades punitivas a cada um deles, mas escolheu o caminho da compaixão e assim livrou-os de meus conselhos, formado-os doutores em cada área escolhida.

Todas as inspirações que lhe forneci, como Musa mitológica, foi quebrada pela sua calma alegria em ser um humano sem brilho, que o fez um homem bondoso, alegre, caridoso e honesto. Todos o amavam. E ele, por sua vez amava a todos.

Confesso que o invejei, pois como brisa que sou, não possuo nada a me guiar a não ser minha arrogante forma de pensar. Penso que posso e posso. Mas contra ele, que tantas armas utilizei para criar a confusão em suas  ideias, manteve-se retilínio como tiro de fuzil.

Hoje faço questão em me redmir e auxilio seus netos em tudo que me é permitido. Merecem. Pois seu avô, uma alma sem nenhum brilho, ensinou a um anjo caído como se arrepender e merecer os Céus.
sábado, 4 de setembro de 2010

postheadericon senhor

Mulher, venha cá!
Me diz logo o que tu queres,
(Já não disse que assim não dá)
Não me pode tratar como quiseres?

Sou teu marido e senhor
Faz logo o que te mando
Nada é por favor
Sai com esse teu encanto

Não faz assim, que não gosto
Essa tua lingua doce e macia
Lambendo meu rosto
Enquanto me acaricia...

Agindo assim, só me dá um alternativa
Pois tens que entender que sou teu amo
Terei que te tratar de forma mais decisiva
Para, já te disse...que assim esparramo!

Venha cá logo mulher...conseguiste
Sou te escravo, amante e amor
Não atino para o que fizeste
Mas se me imagino sem ti
[só me resta a dor.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010

postheadericon a estrada

Uma estrada,
Finita em suas barreiras
Fechada pelos escombros
Um mar, de cimento e madeira
Ao longe um ser sem nome
Busca entre todas as sujeiras
Um algo que o conforte

A busca pela sorte

Debaixo de um tijolo
Encontrou várias promessas
Revestidas com o ouro
Ouro de tolo, oco
Um simples tijolo, enfim

Sobre um pilar ao meio partido
Viu rostos conhecidos,
Não seriam aqueles tantos
Antigos amigos, há muito perdidos?
Aproximou-se e como por encanto
Desfez-se em poeira a imagem
Partiram, sem dizer adeus

Fica a saudade, o pranto

Distante, à margem da estrada
Um reflexo, um brilho
Correu, quem sabe ali estivesse
Traços de sua antiga vida
Encontrou apenas cacos
Milhares deles, espelhados
A moldura de madeira carcomia
Jogada ali ao lado

Em pedaço de si, ali refletido
Um caleidoscópio de olhos, bocas
Narizes recortados, dedos enlaçados
Enxergou todo seu passado

E lembrou-se

E soube que estava ali não pela sorte
Mas vagando em um vale de morte
Tirou de si a própria vida
Que agora busca, o peito encharcado
Por sangue coagulado
Uma profunda ferida
O coração roto a mostra

Um tiro certeiro
Lancinante
E o fim de uma era
O calar de uma voz
O prego no caixão
De um covarde.

Que agora chora...

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Mataram a bio... Jamais morreu
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