quinta-feira, 14 de abril de 2011

postheadericon Acidente

"Olha moça, eu posso até contar como aconteceu, mas não vai adiantar nada.

Sou apenas um traste, um dos muitos neste cidadão imenso, a tal capital, lotando cruzamentos com nossas bala, flor e carregador de celular. Ninguém dá valor prá gente - a não ser quando a gente tem garrafinha de água para vender e o trânsito pára -, quanto mais ouvidos.

Naquele cruzamento deveria ter um semáfro. Eu já havia dito isso antes, mas não mando nada e ninguém presta atenção na gente.

Vai aparecer em que jornal isso? Preciso lembrar de pedir pro meu moleque gravar isso pra mim. Famoso por um dia, né? Coisa de pobre. Mas sou pobre e honesto e não custa nada deixar gravado pra mostrar pros vizinho.
Bom, voltando ao assunto: O caminhão desembestou lá em cima, perto daquela placa amarela que a senhora pode ver ali em cima, ó. Tá vendo seu câmera? Não, do outro lado! Essa mesma!

Pois é...ele veio correndo de um jeito que a gente, acostumado a ver acidente aqui já sabia que ia dar mer...quer dizer...ia dar pobrema.

O carro da madama ali tava certo sabe? A preferencial é dela e quem cruzou foi o caminhão. Mas também não custava nada o motorista dar uma paradinha e espiá antes de cruzar.

Não moça. Ninguém sabe direito onde o motorista do caminhão foi parar. Assim que ele viu a mer...quer dizer...a besteira que ele aprontou, deu no pé. 

É, fui eu que tirei a criança do banco de trás sim. Tinha muito sangue, mas quando me enfiei no meio dos ferro deu pra ver que o sangue todo era da mãe, deus a tenha. 

Os bombeiro estavam ali ó, do outro lado do rio. Até eles dar o retorno e voltar aqui, com esse trânsito todo fud...quer dizer...parado, a menininha podia ter morrido. Já pensou se pega fogo nisso tudo aí?

Ah sim...eles me disse que está tudo nos conforme agora. A mãe não viveu mesmo. O motorista também não.
Mas a menininha essa eu salvei. Deus tava comigo no momento se é que a senhora me entende.Parece que o pai dela já foi lá pras Clínicas buscar ela.

Recompensa? Não moça. Não quero nada não. A gente faz o que a gente pode e se não for para ajudar os outro, melhor nem viver não é mesmo?

Mas bem que a senhora podia ajudar a gente e comprar umas balinha...prum sobrinho talvez? A caixa toda? 

Por quê você tá chorando moça?"
sábado, 2 de abril de 2011

postheadericon infinito

Suas buscas internas, solitárias
Imcompreensíveis em sua total extensão
Pobres os sentimentos obtusos e confusos
Desse sombrio mar batido pela ilusão

Ora. Clama. Me chama. Grita!
Por quê chora a vida perdida?
Espera. Cativa. Me ama?
Regurgita sombras de solição aflita.

O abismo infinito que nos separou
Em granito selado para a eternidade
Hoje se abre por tua vontade
Sem maldade
Só saudade
É verdade?
sexta-feira, 1 de abril de 2011

postheadericon distrações...

                A casa onde moro e trabalho é ao estilo alemão antigão, com assoalho de tábua corrida, corredores que parecem cômodos e cômodos que parecem apartamentos. O quarto da frente é onde escrevo e onde passo a maior parte do dia. A janela, imensa, dá de frente para o jardim e assim tenho motivos de distração, para aquelas horas onde é necessário higienizar um tanto a mente, antes de ocupá-la novamente com o cotidiano muitas vezes chato.

                De minha janela vejo pequenos canários-da-terra, aqui mais comuns que pardais (interessante... Depois que mudei para o Rio Grande do Sul, não vi mais os pardais tão comuns em minha São Paulo natal), sabiás-do-campo, bem-te-vis, quero-queros e, no meio dessa passarinhada toda, nosso gato tentando o almoço/jantar/lanchinho.

                Há dias que simplesmente deixo de lado certas obrigações para curtir minha janela. Hoje é um dia que seria assim, contemplativo, mirando de pássaros a passantes, estes em menor número que os primeiros. Mas não me foi possível, porque acabei de notar que deste que instalei meu computador nesta posição, tenho um observador contínuo, tomando conta de todas as linhas que escrevo, de toda ação que planejo. Uma pequena mosca senta-se no canto superior direito da tela, de olho (ou olhos, pois já li em algum lugar que as moscas possuem ocelos recheados de omatídios, mas sinceramente não vou buscar sobre isso no Google agora) em mim.

                Pode ser que seja o tal labor da mente ociosa, mas estou começando a acreditar que é a mesma mosca que afugento todo santo dia. Não sei quanto vive uma mosca, mas não devem ser mais que dias, talvez semanas. Então o que será que acontece? Existiria um certo código genético passado de mosca-mãe para moscas-bebezinhos, dizendo onde pousar ou  a quem vigiar? Seriam os preceitos de reencarnação de algumas religiões, que contam que as almas podem renascer em diferentes espécies de corpos, verdadeiras? Nesse caso esse insetinho nojento pode ser algum desafeto meu. Ou seria um parente? Tio? Existe ainda a possibilidade de que os aliens sejam como aquela baratona do MiB, só que menorzinhos, não é? "Eles já vivem entre nós" e coisa e tal.

                Seja lá o que seja, além de um inseto nojento, essa mosca me fez pensar muito hoje. Nada de perguntas clichê, ao estilo "De onde viemos e para onde iremos", mas sim onde se acha um dedetizador em Vera Cruz, minha pequena cidade de adoção, onde o até restaurante fecha ao meio-dia...

                De tanto pensar só me sobraram duas coisas: este texto que você está lendo agora e a certeza de que na próxima lista de supermercado estará escrito, além de tantas cosiinhas do dia a dia, o item Baygon.

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