domingo, 29 de agosto de 2010

postheadericon A Visão Utópica

Daqui quem sabe talvez uns 20 anos a humanidade tenha alcançado seu apogeu: o dinheiro deixará de ser tão importante e por isso mesmo os crimes traçarão uma curva descendente até a nulidade, os políticos trabalharão em pro do bem-estar comum, as guerras por interesse se extinguirão.

Nesse cenário as religiões, outro tema dominante nas mesas de Paz que promovem a Guerra, serão substituídas pela fé unica na vida.

Ódio racial, controvérsia religiosa, opção sexual, nacionalidade e outros fatores de violência serão apenas memória coberta por pó.

Bonito isso não? E impossível, infelizmente.

Como dizia Rosseau, "A humanidade tem dupla moral: uma que prega, mas não a pratica, outra que pratica, mas não prega".

Acho bonito a exposição de sentimentos bons. O padre que prega em seu sermão que somos todos iguais é o mesmo que acaba sendo preso por pedofilia. O pastor cumpre pena por desvio de verbas de seus fieis. O xeique pede o pescoço do rabino, que abençoa aos filhos de Israel a caminho de mais uma ofensiva em território inimigo. É hipócrita a postura dos líderes religiosos que pregam a paz, desde que você esteja a seu lado. Assim como é hipócrita a postura congelada de que somente o que está escrito em um livro de autoria duvidosa (Pausa: se não há dúvidas quanto aos ditos Livros Inspirados - seja de qual religião - por quê então existem tantos apócrifos? Ou como não sobreviveu nenhuma versão "pura"?) seria verdadeiro.

Claro que nosso mal maior não são as religiões, embora intimamente eu creia que realmente sejam.

A política, seja internacional ou não, fomenta a desgraça. Nada mais é executado por um governante se este não tiver em mente que a matemática entre fazer e gastar esteja relacionada puramente ao voto futuro ou ao próprio bolso. Nada além disso.

A utopia de uma vida honesta só virá quando chegarmos ao fundo do poço. Quando o cachorro de seu vizinho entrar em seu jardim e a opção mais simples para resolver a questão seja um tiro de fuzil na cabeça do bicho. Para isso - e pior - caminha a humanidade.

Hoje em dia estamos "a meio pau". Suportamos uma carga de desgraças causadas pelo homem de maneira indiferente (na maioria dos casos) e sempre procuramos alternativas para nos acomodarmos em novas situações. É o tal "rouba mas faz" da política ou o "olho por olho" da religião.

Dizem que fiolosofia é a arte de pensar....inutilmente. Os que assim pregam são aqueles que preferem a ação. Pois se mesmo em seus filhos você pode notar que uns são de ter ideias enquanto outros são executores desmiolados, que se dirá então da humanidade como um todo?

É preciso reflexão por parte de uns - principalmente daqueles que são formadores de opinião - para que outros, mais afeitos à ação sejam capazes de agir em um caminho concreto.

Estamos em uma involução completa nas artes: "instalações" que na minha infância seria chamada lixo, poesia que rima merda com amor, música cacofônica e sem algo a dizer. Salva a fotografia, que ainda sobrevive mostrando o que é realmente belo. Culpa de quem? Nossa, em uma reta de acontecimentos, votando e acreditando em quem não presta nem mesmo para limpar um estábulo, quanto mais para querer gerenciar uma cidade, um país ou mesmo o boteco onde dá palpites de graça.Sem educação, sem arte, sem cultura, caminhamos para o nada.

Não cavem mais fundo, tentem escalar. Ensinem, eduquem, demonstrem. Mesmo que não consiga um centavo com isso. Ganhar o sustento é necessário, mas cobrar um pensamento que indique o caminho certo deveria ser de domínio público.

Se começarmos agora, mantendo o foco naqueles que mal sabem ainda falar e que não tem capacidade de pensar por si, não estaríamos fugindo daquele poço sem fundo?
 
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Originalmente publicado no blog Scriptus Est, em 05/10/2009  

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