sexta-feira, 1 de abril de 2011

postheadericon distrações...

                A casa onde moro e trabalho é ao estilo alemão antigão, com assoalho de tábua corrida, corredores que parecem cômodos e cômodos que parecem apartamentos. O quarto da frente é onde escrevo e onde passo a maior parte do dia. A janela, imensa, dá de frente para o jardim e assim tenho motivos de distração, para aquelas horas onde é necessário higienizar um tanto a mente, antes de ocupá-la novamente com o cotidiano muitas vezes chato.

                De minha janela vejo pequenos canários-da-terra, aqui mais comuns que pardais (interessante... Depois que mudei para o Rio Grande do Sul, não vi mais os pardais tão comuns em minha São Paulo natal), sabiás-do-campo, bem-te-vis, quero-queros e, no meio dessa passarinhada toda, nosso gato tentando o almoço/jantar/lanchinho.

                Há dias que simplesmente deixo de lado certas obrigações para curtir minha janela. Hoje é um dia que seria assim, contemplativo, mirando de pássaros a passantes, estes em menor número que os primeiros. Mas não me foi possível, porque acabei de notar que deste que instalei meu computador nesta posição, tenho um observador contínuo, tomando conta de todas as linhas que escrevo, de toda ação que planejo. Uma pequena mosca senta-se no canto superior direito da tela, de olho (ou olhos, pois já li em algum lugar que as moscas possuem ocelos recheados de omatídios, mas sinceramente não vou buscar sobre isso no Google agora) em mim.

                Pode ser que seja o tal labor da mente ociosa, mas estou começando a acreditar que é a mesma mosca que afugento todo santo dia. Não sei quanto vive uma mosca, mas não devem ser mais que dias, talvez semanas. Então o que será que acontece? Existiria um certo código genético passado de mosca-mãe para moscas-bebezinhos, dizendo onde pousar ou  a quem vigiar? Seriam os preceitos de reencarnação de algumas religiões, que contam que as almas podem renascer em diferentes espécies de corpos, verdadeiras? Nesse caso esse insetinho nojento pode ser algum desafeto meu. Ou seria um parente? Tio? Existe ainda a possibilidade de que os aliens sejam como aquela baratona do MiB, só que menorzinhos, não é? "Eles já vivem entre nós" e coisa e tal.

                Seja lá o que seja, além de um inseto nojento, essa mosca me fez pensar muito hoje. Nada de perguntas clichê, ao estilo "De onde viemos e para onde iremos", mas sim onde se acha um dedetizador em Vera Cruz, minha pequena cidade de adoção, onde o até restaurante fecha ao meio-dia...

                De tanto pensar só me sobraram duas coisas: este texto que você está lendo agora e a certeza de que na próxima lista de supermercado estará escrito, além de tantas cosiinhas do dia a dia, o item Baygon.

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