quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

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Vieram do horizonte
Do nada surgiram
Formas voluptuosas, negras
Corcéis alados em disparada
Desenfreados, cegos, mortais

Dos olhos raios partiam
Rachando a crua terra ressequida

Cada pata ferrada
Que das nuvens escapa
Um novo trovão. O ar que assobia
Vento. Redemoinhos de terror

Deslocam-se rapidamente
Nada os detem.
Um telhado que voa.
Uma árvore que ganha asas
Vidas em perigo, sem abrigo

As águas sobem
As casa mergulham
Gente que vira peixe
Mergulhando na lama fria
Dizendo adeus a suas vidas
Vazias

Dali, do alto de seu ninho a vê
Entre ondas, espumas, restos de outro ser
Batalha inglória, a natureza se rebela

Dali,
Joga-se amarrado pela cintura
Preso pela corda do desespero
O pior momento, dúzias de sonhos delirantes
Girando em torno de si e ela
Cada segundo mais e mais distante

Abraça águas imundas e as engole
Tira forças do amor, força dominante
O último mergulho quase foi seu último
Mesmo assim, nada ofegante

Seus dedos agarram seus longos cabelos
(Sedosos eram hoje de manhã, negros
Dispostos sobre seu peito, arfante, pleno)
O barro a cobre e com esforço a socorre

Alcançam a margem e de costas contra a terra
-- Movediças margens arrastadas --
Olham para o céu onde o espetáculo predomina.
Cansados, embarcam na canoa dos sonhos

...

O dia veio e os cavalos partiram
Ela acorda, exausta, sozinha
Ele a deixou durante a tempestade
Carregado desfalecido rio abaixo
Foi viver com a Mãe D´Água
Transformou-se em oferenda
Pagou por sua bem-amada,
Com a própria vida.

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Mataram a bio... Jamais morreu
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